100 mil mortes por Covid: os corpos que pulamos no caminho e o nosso futuro que é passado

Cem Mil. 100.000. C E M M I L.  A notícia me chega as 2 da manhã no meio de uma insônia repentina. Me atravessa o peito que já previa a desgraça. E mesmo assim me dói como facada apunhalada pelas costas.  Quando foi que o horror tornou-se rotina? Será que foi naquele momento daContinue reading “100 mil mortes por Covid: os corpos que pulamos no caminho e o nosso futuro que é passado”

As ligações que parei de fazer para a minha mãe

Se antes eu comentei sobre as ligações que comecei a fazer para a minha avó desde o início da quarentena, hoje eu quero contar sobre as ligações que eu tenho deixado de fazer para a minha mãe – por causa das ligações que ela tem feito para os outros.  Calma, eu explico.  A minha mãeContinue reading “As ligações que parei de fazer para a minha mãe”

Daniella Reina: “Quando você decide migrar definitivamente, você tem que fechar todas as suas portas”

“Eu quero ir embora da Austrália. Eu acho que antes de tudo isso acontecer, eu via a Austrália como um país de oportunidades e via como ‘sim, eu posso ficar’. Meu namorado é americano e a gente sempre teve essa discussão se a gente ia ficar aqui ou ir pros Estados Unidos quando eu meContinue reading “Daniella Reina: “Quando você decide migrar definitivamente, você tem que fechar todas as suas portas””

Nico Betancur: De Medellín para Sydney

“Eu acho que nós, estudantes internacionais, estamos sempre fazendo alguma coisa e daí chega o coronavírus e diz ‘não, você não pode fazer nada’. E o governo não vai te ajudar e você tem que seguir pagando as contas e seguir continuando com a vida, e isso não é fácil,” comenta Nico Betancur, estudante colombianoContinue reading “Nico Betancur: De Medellín para Sydney”

Alicia Granci: “Sí, soy argentina”

“É louco que nesse momento nós estamos quase como prisioneiros, não somos prisioneiros mas não podemos sair da maneira como saíamos. É contraditório. Enquanto o que diz respeito a minha família, por ser estudante internacional, estamos um pouco acostumados porque sabemos o que é estar longe dos nossos entes queridos,” me fala Alicia Granci, numaContinue reading “Alicia Granci: “Sí, soy argentina””

Gabriel Villalba: a certeza de Golpe de Estado na Bolívia

“O que o mundo precisa saber, é que na Bolívia não vivemos em democracia,” é o que me disse Gabriel Villalba enquanto conversamos em um café num terraço no centro de La Paz. Dali de cima, havia uma tranquilidade que nada se parecia com as ruas que tínhamos acabado de cruzar para chegar àquele destino.Continue reading “Gabriel Villalba: a certeza de Golpe de Estado na Bolívia”

Bolívia: reflexões sobre democracia entre protestos e cochichos

Em outubro de 2019, a Bolívia foi alvo das manchetes do mundo. Após questionamentos sobre a legitimidade de sua terceira reeleição, o então presidente Evo Morales foi retirado num movimento que os livros de história tinham me ensinado ser golpe de Estado. Exército na rua, truculência, repressão. Ainda assim, li editoriais de veículos internacionais afirmandoContinue reading “Bolívia: reflexões sobre democracia entre protestos e cochichos”

As ligações para a minha Avó (e a certeza de que ela fala a minha língua)

Tenho ligado para a minha vó com mais frequência. Por algum motivo que eu não sei bem explicar, eu nunca o fiz muito. Ela sempre morou longe. Mas eu nunca liguei.  Talvez porque alguma coisa em mim sempre alimentou a esperança de que no final do ano a gente fosse se ver. E aí entãoContinue reading “As ligações para a minha Avó (e a certeza de que ela fala a minha língua)”

Canarinhos refugiados em Pacaraima: a construção de um futuro para a Venezuela no Brasil

“Se você quer saber como o futuro de um país se parece, olhe para as crianças. Elas vão te dar uma boa ideia,” foi uma das primeiras coisas que Miriam Blos me disse quando nos conhecemos na Casa da Música em 2019. Um ano depois, no mesmo lugar, a frase não podia fazer mais sentido. Continue reading “Canarinhos refugiados em Pacaraima: a construção de um futuro para a Venezuela no Brasil”

La Gran Sabana: sobre as coisas que uma crise não pode destruir

“Tú no puedes comprar las nubes, tú no puedes comprar los colores, tú no puedes comprar mi alegría, tú no puedes comprar mis dolores”, o refrão de Latinoamérica do grupo Calle 13 ecoa na minha cabeça enquanto observo o reflexo das nuvens num riozinho na Gran Sabana. Existem coisas que uma crise, um regime ouContinue reading “La Gran Sabana: sobre as coisas que uma crise não pode destruir”