As ligações para a minha Avó (e a certeza de que ela fala a minha língua)

Tenho ligado para a minha vó com mais frequência. Por algum motivo que eu não sei bem explicar, eu nunca o fiz muito. Ela sempre morou longe. Mas eu nunca liguei.  Talvez porque alguma coisa em mim sempre alimentou a esperança de que no final do ano a gente fosse se ver. E aí entãoContinue reading “As ligações para a minha Avó (e a certeza de que ela fala a minha língua)”

Canarinhos refugiados em Pacaraima: a construção de um futuro para a Venezuela no Brasil

“Se você quer saber como o futuro de um país se parece, olhe para as crianças. Elas vão te dar uma boa ideia,” foi uma das primeiras coisas que Miriam Blos me disse quando nos conhecemos na Casa da Música em 2019. Um ano depois, no mesmo lugar, a frase não podia fazer mais sentido. Continue reading “Canarinhos refugiados em Pacaraima: a construção de um futuro para a Venezuela no Brasil”

La Gran Sabana: sobre as coisas que uma crise não pode destruir

“Tú no puedes comprar las nubes, tú no puedes comprar los colores, tú no puedes comprar mi alegría, tú no puedes comprar mis dolores”, o refrão de Latinoamérica do grupo Calle 13 ecoa na minha cabeça enquanto observo o reflexo das nuvens num riozinho na Gran Sabana. Existem coisas que uma crise, um regime ouContinue reading “La Gran Sabana: sobre as coisas que uma crise não pode destruir”

“De Arepa en Budare”: Luísa e a força que ainda resiste na Venezuela

“Jamais, jamais, mesmo com a pior situação que estamos vivendo agora, eu abandono o meu país. Eu sou venezuelana, como dizemos aqui, ‘de arepa en budare’”. É uma das primeiras frases que me diz Luísa enquanto tomamos um café às 6 da manhã, em meio a tranquilidade da Gran Sabana. Talvez não haja expressão melhorContinue reading ““De Arepa en Budare”: Luísa e a força que ainda resiste na Venezuela”

Venezuela: Um fio de esperança em meio ao caos

Meu tempo na Venezuela foi curto. Cheguei num dia e fui no outro. E sinto que precisava de mais para absorver a atmosfera do país que, sim, está afundando em uma crise. Mas que, em contraposição, tem um povo que não se deixa abalar.  Não consegui parar muito para as longas conversas que gosto deContinue reading “Venezuela: Um fio de esperança em meio ao caos”

Suely: A tristeza que ficou em Córrego do Feijão

“A minha fisionomia até mudou, eu não sorrio mais como aqui”, me diz Suely ao me mostrar a capa de uma revista do SEBRAE de 2014 em que apareceu por conta de seu restaurante no Córrego do Feijão. Hoje, o restaurante Casa Velha está alugado para a Vale e o forno a lenha e oContinue reading “Suely: A tristeza que ficou em Córrego do Feijão”

Brumadinho: a dor do luto coletivo

Brumadinho é uma cidade triste. De ombros caídos e olhares cansados. O luto se sente nas ruas, em cada conversa casual com seus habitantes que não esquecem o dia em que a barragem se rompeu e tudo mudou. Se sente no pó marrom que cobre a cidade e na cor de lama do Rio Paraopeba,Continue reading “Brumadinho: a dor do luto coletivo”

Alba e a resistência Venezuelana no Brasil

“Quando eu saí de lá [da Venezuela], eu falei ‘eu vou ser resistência no Brasil’. Porque eu vou ter uma voz e eu vou dizer pro mundo quem a gente é”. Idealizadora do primeiro Centro de Acolhida de Boa Vista, Alba Marina com certeza resiste em terras Brasileiras – e ainda oferece suporte aos seusContinue reading “Alba e a resistência Venezuelana no Brasil”

Roraima: onde as complexidades vão além de um fluxo migratório

Dona Raimunda vive em Boa Vista desde 1983, vinda de Manaus. Como muitos de seus conterrâneos, “veio para conhecer e nunca mais voltou”. O discurso dela é de uma complexidade que só Roraima parece carregar. Numa conversa informal no Centro de Artesanato da cidade, ela reclama para mim de como a população Venezuelana mudou aContinue reading “Roraima: onde as complexidades vão além de um fluxo migratório”

A Mão Amiga do Exército Brasileiro em Pacaraima

O primeiro rosto que os imigrantes encontram ao cruzar a fronteira é o do militar. E isso talvez seja motivo de medo e preocupação em muitos lugares do mundo (inclusive algumas outras partes do Brasil). Não em Pacaraima. Na cidade fronteira entre Brasil e Venezuela os militares tem um propósito: acolher. A “Operação Acolhida” foiContinue reading “A Mão Amiga do Exército Brasileiro em Pacaraima”